terça-feira, 27 de outubro de 2015

Termina greve nos bancos privados

Até a última sexta-feira, segundo o Sindicato dos Bancários do Estado do Ceará, 418 agências estavam paralisadas ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )
Fortaleza/ São Paulo. Após 21 dias de greve, os funcionários de bancos privados do Ceará decidiram, em assembleia realizada na noite de ontem, encerrar a paralisação. As atividades nas agências voltam ao normal a partir de hoje, segundo o Sindicato dos Bancários do Estado do Ceará (Seeb/CE). Já os funcionários do Banco do Nordeste (BNB), da Caixa Econômica e do Banco do Brasil votaram pela continuidade da greve e permanecem paralisados. A assembleia começou às 19h, na sede do Seeb/CE. Até a última sexta-feira, segundo o Sindicato, das 262 agências da Capital, 199 estavam paradas, e das 305 unidades do Interior, 219 estavam fechadas, totalizando 418 agências em greve.
A categoria acatou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) no último sábado, que garante reajuste de 10% para os salários - 0,11% de aumento real, ou acima da inflação acumulada de 9,88% (INPC) nos últimos 12 meses-, para a Participação nos Lucros e Resultado (PLR) e para o piso e aumento de 14% para os vales refeição e alimentação.
Além disso, os banqueiros aceitaram abonar 63% das horas paradas em greve, de um total de 84 horas, para os trabalhadores de carga horária de seis horas, e 72% das 112 horas, para os trabalhadores de 8 horas. Dessa forma, a partir da data de assinatura do acordo, os trabalhadores devem compensar, no máximo, uma hora por dia, até 15 de dezembro.
Para o presidente do Seeb/CE, Carlos Eduardo Bezerra, a decisão dos bancários em anistiar as horas foi um das mais importantes conquistas da última rodada de negociações. "Isso foi extremamente importante, porque os bancos e o governo queriam impôr uma lógica de negociação e contrato que reduzia os direitos", disse, em entrevista no domingo.
Reivindicações
Na pauta de reivindicação, os bancários pediam 16% de reajuste -índice que incluía 5,7% de aumento real. Com o reajuste aprovado, em 12 anos, a categoria acumula ganho real de 20,83% nos salários e 42,3% nos pisos salariais. O aumento real aprovado na campanha de 2015 (0,11%), entretanto, é o menor dos últimos seis anos. Um dos maiores foi em 2010, quando ficou 3,08% acima da inflação.
Com o INPC beirando os 10%, tem sido menor o número de categorias profissionais que têm conseguido aumentos expressivos neste ano. A PLR será de 90% do salário mais valor fixo de R$ 2.021,79. A regra determina ainda que devem ser distribuídos no mínimo 5% do lucro líquido. Se isso não ocorrer, os valores de PLR devem ser aumentados até chegar a 2,2 salários nominais.
No País são 512 mil bancários, sendo 142 mil representados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região (CUT).
Setor público
O reajuste para os funcionários das instituições do setor público é o mesmo para os salários (10%) e os benefícios (14%). O que muda é o valor da PLR negociada em cada banco.
Outras capitais
De acordo com o balanço da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), além de Fortaleza e São Paulo, os bancários de instituições privadas da cidade do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre encerraram a paralisação nesta segunda-feira.

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