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domingo, 4 de junho de 2017

Bandas e escolas tocam acordes da degradação

Escola de música em Itaitinga vive o abandono, habitado por fantasma da banda ( Fotos: Natinho Rodrigues )

Maquetes de violinos estão relegadas a um recanto inadequado para reunir os instrumentos. Tubas se encontram enferrujadas e desmontadas sobre uma mesa
Fortaleza. A banda de música de Itaitinga (que já foi chamada de banda de música do Ancuri) passou de vez pelas últimas janelas orgulhosas do município. Em Eusébio, a instituição parou por cinco meses na conta da crise econômica. Agora, reagrupa-se e pretende ressurgir até o aniversário da cidade. Avançando mais o interior, o quadro é igualmente desalentador. Em Tianguá, a ajuda financeira tem sido o principal entrave para que seus músicos voltem a encher de alegria e arte uma das principais cidades da Serra da Ibiapaba.
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Louvar o gosto pela música, que é uma inclinação universal, desafina à medida que se necessita apoiar seus artistas. Essa é a realidade das bandas e orquestras no Interior do Estado. O descompasso pode ser explicado de diversas formas, sendo que a principal apontada pelos financiadores como serviço de um custo elevado, diante de outras prioridades, e que precisam ser reinventadas. É fora de tom aquele passado de que lugar das bandinhas era no coreto das praças.
Ambições
Entre sonhos e realidade, há uma situação singular com a banda de Eusébio. De janeiro até abril, esteve com suas atividades suspensas, conforme conta o maestro Walter Célio Lima de Oliveira. Ele diz que o retorno deu-se nas celebrações da Semana Santa. Embora com um número menor de integrantes do que em 2016, não perdeu a motivação em pensar alto: criar uma banda sinfônica.
No entanto, Walter reconhece que além da crise financeira, há o desinteresse atual dos jovens. A ideia era formar um grupo com até 80 músicos, mas atualmente ficam em torno dos 45. Ele promete que haverá uma volta em grande estilo até o aniversário do município, que acontece no próximo dia 23.
Decadência
Maior exemplo de decadência dessa instituição é demonstrada a olhos vistos em Itaitinga. A banda de música, que depois se transformou numa orquestra, ganhou uma escola, construída em estilo bávaro. Difícil saber o que magoou mais a comunidade local entre o desmonte do grupo e o declínio do antigo casarão de três pavimentos, construidos, no meio de uma vegetação intensa. O castelo, como ficou mais conhecido, foi erguido em 1989, para funcionar a Escola de Música do Ancuri (EMA). Hoje, é uma melancólica edificação totalmente abandonada, sem portas, janelas e com reboco deteriorado pelo tempo e a falta de conservação. "O prédio deve ter seus fantasmas, mas o que assusta mesmo são os viciados que buscam os esconderijos do lugar", afirma uma moradora que não quis se identificar.
No momento, têm sido retomadas as aulas de flautas doces pelo ex-aluno e agora professor de música João Hélio de Sousa Filho, conhecedor do instrumento em todos os seus naipes. Por meio de entendimento com o Frei Wilson Fernandes, criador da orquestra e da escola de música, houve a concessão de espaço da casa que mora o religioso para formar novos músicos.
Agonia
A Orquestra Filarmônica Juvenil Doutor Edvaldo Moita, de Tianguá, entrou em agonia, antes de conhecer o fim. Com o encerramento de parcerias, os músicos passam dificuldades para continuar suas apresentações. Segundo Iolanda Moita, presidente da Sociedade Musical Tianguaense, até o momento não foi solucionado o problema do custeio, que está suspenso desde dezembro do ano passado.
"Não vamos desistir do nosso sonho. Queremos captar outras fontes de recursos", disse Iolanda. A Orquestra foi fundada com o intuito de formar cidadãos, por meio da musicalidade. Ao dar vida ao projeto social, o maestro Ângelo Moita viu, aos poucos, o número de alunos crescer.
Cidadania
"Estamos hoje com 279 alunos e não apenas formamos músicos, como estamos investindo forte na cidadania"
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Clarissa Freitas - Assistente técnica da Tapera das Artes

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