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domingo, 4 de junho de 2017

Casarão preserva a memória do povo de Quixelô

Há fotos de construções de época, urbanas e rurais, baú, pedras polidas por indígenas, encontradas no leito do Riacho Faé, telhas e tijolos enormes empregados em edificações antigas, potes, quartinhas, entre outros utensílios ( Fotos: Honório Barbosa )
00:00 · 03.06.2017 por Honório Barbosa - Colaborador
Quixelô. Os memorialistas costumam afirmar que esta cidade é "mãe e filha de Iguatu", pelo fato de ter sido o berço da tribo dos índios Quixelô. Posteriormente, a partir da segunda metade do século XIX, Iguatu tornou-se vila. Com o advento da ferrovia, em 1910, o Município prosperou, colocando Quixelô na condição de distrito. A emancipação somente viria ocorrer em 1985.
A história revela a importância de Quixelô e, para preservar aspectos da formação de sua gente, funciona nesta cidade desde abril de 2004 o Instituto Cultural e Econômico do Quixelô (Icequi). Abrigado no Casarão da Memória Viva do Povo de Quixelô. Instalado bem no Centro urbano, a instituição tem por objetivo contribuir com formação educacional e cultural, por meio da informação e capacitação.
O esforço dos idealizadores é para apoiar o desenvolvimento social e cultural. "Essa casa é uma das mais antigas da cidade", observa um dos fundadores do Instituto e atual proprietário do imóvel, José Mácio Alves. "Descobrimos, por trás de uma parede, duas portas e uma janela, anteriores, que davam para uma esquina, onde havia outra casa que foi demolida".
Para os idealizadores do projeto, o Casarão da Memória é um espaço de educação, cultura, cidadania, equidade, liberdade e democracia. Na parte superior, funciona uma rádio comunitária. O local oferece cursos de informática e outras capacitações. "Infelizmente, não temos apoio da administração municipal", reclama José Mácio Alves. "Somos até perseguidos".
O Casarão da Memória funciona como um museu. Há fotos de construções de época, urbanas e rurais, baú, pedras polidas por indígenas, encontradas no leito do Riacho Faé, telhas e tijolos enormes empregados em edificações antigas, potes, quartinhas, ferro de passar à brasa, diversas peças de uso doméstico, mecanismo manual para extração de fios de algodão, lamparinas, lampiões e publicações.
Visitas
Estudantes e moradores visitam o espaço para conhecer um pouco da história do Município. "É um acervo rico que precisa ser preservado e ampliado", defende a educadora Fabiana Martins. Recentemente, o engenheiro civil e funcionário do Ministério das Cidades, João Alencar Oliveira Júnior, retornou a Quixelô para fazer a entrega ao Icequi de um acervo de fotos digitalizadas da década de 1980. "Aproveitei e tirei novas fotos dos mesmos locais, ângulos iguais, para comparar a diferença, observar a expansão urbana, demolições, mudanças", conta.
Paulo Ferreira e Luís Carlos Gomes, estudantes, na região Cariri, aproveitaram o feriado prolongado para rever os pais na cidade e visitaram o Casarão da Memória Viva. Os dois mostraram-se admirados com o acervo recolhido a partir de doações de moradores. "Conta um pouco da nossa história e é importante que a gente conheça", disse Ferreira. Gomes buscava informações sobre o processo de emancipação política, quando houve o desmembramento de Iguatu.
O Casarão reúne peças em couro, celas e apetrechos usados pelo produtor rural Belchior Gomes de Araújo, temido pelos moradores por sua fama de violento. Até hoje o seu nome perdura no imaginário popular e algumas de suas ações integram a história local, como o ataque à Cadeia Pública de Iguatu. A ele foi atribuído a liderança da ação em busca de um dos presos, no fim da década de 1940.
Consta na documentação que o Icequi foi fundado por José Mácio Alves, Maria Gomes, José Simão da Silva, Alaíde Vieira de Araújo, Francisca Lene Gomes, Francisca Araújo, Francisco do Nascimento, Gracivânia Oliveira, Izaura Lopes, Joaquim Alves Neto, José Wagner Freitas, dentre outros.
O imóvel que abriga o Casarão da Memória pertenceu a Raimundo Nascimento, que foi vereador, oficial de cartório de registro civil e funcionário público. O documento de certificação da antiga casa está preservado e tem a assinatura do então prefeito de Iguatu, Manoel Carlos de Gouvêa, o Dr. Gouvêa.
Há fotos de casas antigas, dentre elas as que pertenceram aos irmãos Luiz Gomes de Araújo e Pedro Gomes de Araújo (Pedroca) líder político, cuja família iria rivalizar por décadas a disputa local com Dr. Gouvêa. Este liderava o antigo Partido Social Democrático (PSD), getulista; aqueles, a União Democrática Nacional (UDN), aliados da família Mendonça. Os irmãos Araújo foram à Amazônia e trabalharam como seringueiros, na extração de borracha. No retorno instalaram comércio, indústria de beneficiamento de algodão e outros empreendimentos.
José Mácio Alves foi o primeiro presidente do Icequi, que hoje é administrado por José Roberto Lopes. Ambos lamentam a falta de apoio da gestão municipal, mas seguem firmes com o propósito de manter o equipamento cultural e ampliar o acervo para preservar a história de sua gente. "Aqui é o memorial do nosso povo", afirmou Lopes.
Importância
"Cuidamos desse espaço com muito carinho. Estamos abertos para receber moradores, visitantes e estudantes"
José Roberto Lopes - Presidente do Icequi
"O nosso esforço é para preservar a memória do nosso povo, aspectos da nossa história, reunindo peças, livros, documentos"
José Mácio Alves - Fundador do Icequi

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