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sábado, 3 de junho de 2017

Quixadá pretende se tornar uma referência em produção didática

Os estudantes de Quixadá estão empolgados com as novas possibilidades ( Fotos: Alex Pimentel )
00:00 · 03.06.2017 por Alex Pimentel - Colaborador
Os professores acreditam que a tecnologia digital vai revolucionar a relação ensino-aprendizagem
Quixadá. A rede pública do Ensino Fundamental deste Município do Sertão Central pretende se tornar a primeira do Ceará a utilizar conteúdo digital autoral nas aulas. Essa dinâmica não é novidade no Brasil, mas a produção do conteúdo pedagógico por profissionais de Tecnologia da Informação (TI) em parceria com educadores, ambos da cidade, será. Essa é a intenção do prefeito Ilário Marques. A iniciativa pretende revolucionar a educação municipal e, ao mesmo tempo, alavancar o segmento de TI e transformar sua terra natal no Vale do Silício brasileiro.
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Professores e especialistas em educação poderão elaborar conteúdos exclusivamente voltados à realidade local e esse conhecimento será aplicado por meio de computadores e de tablets. Os alunos poderão até utilizar os celulares. Os profissionais formados no campus tecnológico da Universidade Federal do Ceará (UFC), instalado na cidade em 2007, se encarregarão da programação dos conteúdos, adequando-os às plataformas de bytes. Eles poderão trabalhar no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Inovação (PDI) da UFC, em fase de implantação no campus tecnológico.
A partir de 2018
A intenção de Ilário Marques é aplicar a nova metodologia educacional a partir do início do próximo ano letivo. A divulgação pública surge como incentivo a profissionais de TI, professores e editoras em iniciarem a produção de conteúdo didático digital. O Município pretende adquirir os livros produzidos e disponibilizar aos estudantes e professores. Além do fortalecimento da cadeia de produção de software, a iniciativa vai gerar emprego e renda na cidade e incluí-la em um novo patamar educacional. Ele confessa ser apaixonado por tecnologia.
Na avaliação do gestor municipal, além da revolução educacional, o surgimento de centenas de empregos e do crescimento econômico local, esse processo vai gerar economia para os cofres públicos, além de benefícios para a natureza. Milhares de árvores deixarão de ser cortadas para se tornarem páginas de livros. Ao mesmo tempo, os níveis de ensino poderão alavancar com o interesse estudantil pela nova dinâmica educacional. O custo das despesas com livros chega a R$ 300 mil.
Transição meteórica
Para a professora Sulamita Pinto, com mais de 20 anos dedicados ao magistério, estamos em uma transição meteórica de conhecimento. Essa nova tecnologia, a digital, veio para ficar e revolucionar os costumes em todos em segmentos da sociedade. Na educação não é diferente. "O professor precisa se adaptar constantemente a essas mudanças e o aprendizado digital veio para atrair novamente o interesse dos alunos pelo aprendizado", ressalta.
Ela ensina Língua Portuguesa na Escola de Ensino Fundamental José Jucá. Conforme a professora, a unidade educacional é modelo em Quixadá. Tem os melhores índices no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e também no Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece) no Município.
Sobre a possibilidade da distração por outros links, extraescolares, Pedro Lucas Calixto, 14, aluno do José Jucá, tem a resposta na ponta da língua para a possível tentação na ponta dos dedos. "Basta travarem os endereços de acesso a outras janelas. Os alunos da UFC podem fazer isso, ou quem sabe até tornarem as aulas off-line. Não podemos é perder essa oportunidade", comentou entusiasmado ao saber das futuras mudanças na sua sala de aula. Ele pretende estudar para ser designer de games.
A colega de sala de aula Márcia Amaro da Silva concorda com os argumentos de Pedro Lucas. Apesar da vantagem sobre a maioria da turma por conta da sua caligrafia, reconhece o modelo digital de aprendizagem mais interessante. "A gente escreve, em média, quatro páginas por dia. Mas isso tudo pode se resumir na tela do tablet ou do celular. Os resumos das aulas já são feitos assim. Torna a aprendizagem mais fácil, além de rápido e interessante. Fico feliz em saber que vou participar dessa mudança", completou.
Atualmente, o Município conta com 11.943 estudantes matriculados regularmente no Ensino Fundamental. Eles estão distribuídos em 54 unidades de ensino. São 22 na cidade e 32 na zona rural. Estão dividias em 11 distritos educacionais. Agora, é aguardar as mudanças e com elas o novo material didático. Na opinião de muitos professores a dificuldade maior será a produção dos livros digitais. Coisas assim demoraram a ficar prontas.
Conforme o Ministério da Educação (MEC), cabe à Secretaria de Educação do Município avaliar os conteúdos didáticos propostos para inclusão na programação escolar da sua competência. Entretanto, o próprio Município deverá arcar com as despesas para aquisição dos livros digitais. O MEC só disponibiliza recursos financeiros para aquisição do material didático somente após uma avaliação criteriosa do seu conteúdo. Esse processo pode demorar até três anos.
Enquete - Quais as vantagens para você?
"Após 30 anos na sala de aula revisando cadernos, essa nova metodologia só apresenta vantagens, a começar pelo próprio interesse dos alunos em sala de aula"
Sulamita C. De Holanda Pinto - Professora de Língua Portuguesa
"Não estamos mais na Idade da Pedra. Com certeza, para nós, estudantes, é muito mais interessante a possibilidade de aprender as coisas de uma forma mais prática e divertida"
Pedro Lucas Galdino Calixto - aluno do 8º Ano

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