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sábado, 5 de agosto de 2017

Comunidade enfrenta falta d'água

Da vazão atual, 25 litros/segundo são direcionados para a adutora, responsável pelo abastecimento da sede do Município, e os outros 25 litros/segundo são liberados para o riacho, cuja demanda são as comunidades ribeirinhas ( Foto: André Costa )
00:00 · 05.08.2017 por André Costa - Colaborador
Aurora. Os afazeres domésticos na casa de Márcia Rejane dos Santos Silva, 31, começam bem cedo. Em sua residência, a menos de 15 metros do Riacho Caiçara, na comunidade que leva o mesmo nome, neste Município, moram outras seis pessoas. Roupas para lavar, alimentos por cozinhar e casa para limpar. O trabalho, que já é árduo por si, enfrenta um agravante: a falta de água. Na comunidade, são cerca de 60 famílias, que vivem sem água há anos, conforme contam os próprios moradores. Nem mesmo o bom inverno, com o acumulado de chuva de 981,6 milímetros, bem superior à média anual para Aurora, serviu para amenizar a situação.
"Choveu bem, o açude pegou uma boa recarga, mas aqui a situação pouco mudou. Continuamos sem água", garante Márcia. A única fonte dos moradores é o Riacho Caiçara, que fica a 5Km do Açude Cachoeira, reservatório responsável pelo abastecimento da cidade, cujo volume atual é de 17,15%, conforme dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
As chuvas caídas, sobretudo, no primeiro semestre do ano, elevaram o nível do reservatório em mais de 10%, detalha o secretário de Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente, José Dácio de Sousa. Com a recarga, a vazão do açude foi elevada de 35 litros/segundo para 50 litros/segundo. "Fizemos várias reuniões com membros da Cogerh e chegamos a esse número, que é o limite para o açude, até para manter a segurança hídrica da cidade", explica.
Da vazão atual, 25 litros/segundo, são direcionados para a adutora, responsável pelo abastecimento da sede do Município, e os outros 25 litros/segundo são liberados para o riacho, cuja demanda são as comunidades ribeirinhas. "Quase a metade dessa água fica nas comunidades Agrovila e Corredor, e os outros 15 litros/segundo seguem para as localidades de Cachoeirinha, Logradozinho e Caiçara. E é aí que mora o problema. A comunidade de Caiçara fica distante do reservatório e a água não consegue chegar até lá", reconhece.
Sem a água do açude, os moradores se veem obrigados a consumir a pouca e de péssima qualidade água que ainda resta no riacho. "A gente sabe que a água não é boa, mas vamos fazer o quê?", questiona Márcia. O líquido retirado por meio de uma bomba é utilizado para quase tudo, exceto para beber. "Lavamos a casa, roupa e louça; tomamos banho e também cozinhamos com ela", disse. Para "melhorar a qualidade da água", diz a moradora, "a gente côa e ferve". A dona de casa, no entanto, reconhece que o consumo impróprio da tem ocasionado enfermidades. "As crianças vivem doentes: febre, enjoo e diarreia", acrescenta. Para complementar, as famílias da comunidade compram água por R$ 5 cada garrafão com 20 litros.
"A gente compra um por semana. Consumindo com moderação, dá para durar uma semana. Mas, no fim do mês a conta fica cara", lamenta Iraci Pinto Batista, 57. Como sua casa fica um pouco mais distante, impossibilitando-a de retirar água do riacho pela bomba, a agricultora explica que depende da ajuda de vizinho e do carro-pipa, que passa uma vez por mês. "Quando o caminhão da Prefeitura passa, eu encho a cisterna e dá pra ficar usando para cozinhar e beber. Para os afazeres de casa, fico pedindo ao vizinho da frente. Ele tem uma caixa d'água", conclui.
A solução, conforme o secretário, seria a perfuração de um poço profundo na comunidade. "A sede do Município não sofre com a falta de água. O problema está na zona rural, sobretudo na Caiçara. Como não podemos mais elevar a vazão do açude, a alternativa seria cavar um poço lá", disse. O equipamento, ainda segundo José Dácio, existe, falta recurso para estudo de solo e perfuração. "Creio que o Município possa arcar com a perfuração. Deve ser feito estudo mas, como não há outra alternativa, acredito que seja viável", diz.
Saiba mais
O Açude Cachoeira está com seis milhões de metros cúbicos
Em Janeiro deste ano, ele atingiu a marca dos 6% da capacidade total, menor volume desde que foi construído
Inaugurado em 2000, o açude já sangrou três vezes (2004, 2008 e 2011)
60 famílias da comunidade Caiçara estão sem abastecimento de água

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