segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Base alinha discurso de defesa do Governo

Elmano de Freitas (PT) reconhece que a gestão deve adotar "novas estratégias" no combate à violência, mas destaca ações exitosas do Governo ( Foto: José Leomar )

Diante do paradoxo vivenciado pelo Governo Camilo Santana (PT), que, de um lado, registra altos índices de homicídios no Estado e, do outro, é destaque nacional na área da educação, estes temas são, na avaliação de parlamentares da base governista, os que deverão estar entre os mais debatidos na Assembleia Legislativa em 2018. Apesar dos investimentos da gestão estadual e da reclamação constante por uma política nacional de combate à violência, deputados da base aliada reconhecem que esse discurso não será "suficiente" para defender a gestão das críticas da oposição. Após o recesso parlamentar, as sessões da Casa devem ser retomadas nesta sexta-feira (2).
Alguns deputados apontaram ao Diário do Nordeste ainda que, se este ano não for de boas chuvas, a questão hídrica pode ter um "peso" ainda maior para os defensores do Governo. Por outro lado, eles apostam, principalmente, nos resultados obtidos na educação e na área econômica para alavancar as ações do Executivo Estadual.
Estratégias
Elmano de Freitas (PT) reconhece que a segurança é um problema a ser enfrentado e acredita que a política de combate à violência deve ser repensada e "mais arrojada para a juventude". "Temos que ter responsabilidade e debater o tema da segurança com toda a problemática que ela tem, com os limites que o Estado do Ceará tem para resolver o problema, mas ele é um problema muito importante para a população. Os resultados apontam que a política tem que ter alteração, os resultados significam que o Governo tem que ter novas estratégias", avaliou.
O petista acrescenta, ainda, a possibilidade de 2018 ser mais um ano de seca, o que pode ser um "peso" maior para a defesa da gestão na Assembleia. Por outro lado, o parlamentar diz que, ao longo do ano, experiências exitosas do Governo merecem ser enfatizadas na Casa, muitas delas na área da educação.
"Ao mesmo tempo, a recuperação econômica pode estar vindo e o Ceará tem uma condição melhor de emprego no Estado. Mas não acho que a gente deva apresentar outras coisas para compensar a questão da segurança, porque o Estado do Ceará, além da questão da segurança, tem várias outras políticas que são desenvolvidas. Umas têm dado melhores resultados, outras menos", opinou.
Apesar das dificuldades na área da segurança, o deputado Carlos Felipe (PCdoB) acredita que o "trabalho reconhecido nacionalmente na educação" deve se sobressair na avaliação do governo estadual. "Os resultados de dez anos do PAIC (Programa de Aprendizagem na Idade Certa), hoje, PNAIC, na educação; o desempenho das nossas universidades públicas, incluindo as estaduais", apontou. Ele também ressalta que a gestão fiscal tem contribuído para a capacidade de atração de investimentos.
Neste mês, políticas de educação adotadas no Ceará, especialmente na implantação do programa de Ensino Médio em Tempo Integral, foram elogiadas pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, durante cerimônia em Brasília, quando foi anunciada a liberação de R$ 40 milhões para a ampliação da rede estadual de ensino. Atualmente, o Estado conta com 71 escolas em tempo integral.
No entanto, o governista vê com ressalvas a questão da segurança. Carlos Felipe avalia que não será "suficiente" apenas o discurso de mais participação da União junto aos estados a fim de minimizar o problema. "Será um flanco de vulnerabilidade na gestão Camilo Santana, a não ser que este ano tenhamos uma reversão deste quadro no resultado das políticas aplicadas. Também ninguém pode deixar de reconhecer a dedicação e investimentos no capital humano da Polícia Militar e Civil, bem como na estrutura e bens materiais". Ainda assim, ele cobra um Plano Nacional de Segurança Pública.
Esforço
Já o deputado Manoel Santana (PT) considera que será "fácil" convencer a população do esforço que o Governo do Estado tem empenhado no combate à criminalidade. "Ele (governador) aumentou efetivo - um aumento expressivo, estamos falando de 4.200 novos policiais militares nas ruas. Houve o aumento da Polícia Civil, totalizando quase 1.300 novos policiais, compra de novos equipamentos, muitas viaturas que foram adquiridas, mais 600 que serão alugadas, mais armamento, coletes. A gente vê mais policiais nas ruas, viaturas circulando, e claro que a população vê que o governador não está de braços cruzados".
Para ele, entre iniciativas "bem sucedidas" do Governo que deverão ser mostradas este ano na Assembleia, estão os projetos Paulo Freire e Mandala, na área da agricultura, e aqueles voltados a crianças em situação de vulnerabilidade social.

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