segunda-feira, 30 de julho de 2018

Pesquisa. Saúde financeira do cearense está abaixo da média nacional


A saúde financeira do cearense está abaixo da média nacional desde janeiro deste ano. Em junho, o desempenho ficou 1,9% abaixo da média brasileira. 410 pontos contra uma pontuação nacional de 418. Os dados são da pesquisa do GuiaBolso, que mede o Índice da Saúde Financeira (ISF) a partir da análise do fluxo de caixa, investimento e dívida dos usuários do aplicativo.

No primeiro trimestre, o indicador do Ceará não acompanhou a tendência do País. Porém, segundo a pesquisa, os cearenses ficaram três pontos acima da média nacional na busca pelo pagamento das dívidas mais caras (221 no Ceará e 218 em todo o País). A leitura é que o cearense ficou acima da média nacional na busca por eliminar dívidas caras, observa Thiago Alvarez, CEO do GuiaBolso. "Esse é o primeiro passo e é muito importante. Tal indicador revela uma preocupação em sair deste tipo de dívida, algo que talvez não tenha sido sentido tão fortemente em outras regiões do Brasil", avalia o CEO.
Por outro lado, os cearenses investiram em junho sete pontos a menos que os brasileiros (65 no Ceará contra 72 no Brasil). Para melhorar no quesito investimento, é preciso ter um fluxo maior. Thiago explica que o cearense poupa menos do que o brasileiro médio e, assim, também tem baixo índice de investimento. "Um passo importante para aumentar os investimentos, além de aumentar a economia, é buscar mais conhecimento sobre as opções do mercado e desmistificar o mito de que aplicar é complicado, caro e para poucos", destaca.

A saúde financeira do cearense reflete o desaquecimento na economia, fazendo com que haja menos dinheiro circulando e, consequentemente, menos renda. "O dinheiro guardado é destinado a pagar contas e a liquidar algumas dívidas. E o uso contínuo da retirada de reservas para pagar contas não é salutar. Uma hora vai acabar", analisa Érico Veras Marques, economista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), pesquisador da área de finanças pessoais e comportamentais.

Segundo o economista, havia a expectativa que 2018 tivesse um crescimento maior, mas a previsão não está se confirmando. No tocante à região Nordeste, as restrições financeiras do Governo na área social também impactam na renda das famílias, afetando a saúde financeira. "O cearense está tendo que se educar da forma mais difícil que é a falta de renda", pontua Érico Veras.

Educação financeira desde a infância seria um dos caminhos para romper com o ciclo cultural que prioriza o consumo ao investimento, avalia o engenheiro Wellington Andrade, especialista em finanças e consultor de empresas. Segundo ele, o trabalho começa na escola, formando novas gerações com a cultura de aplicar patrimônio com visão de médio e longo prazo. "As escolas podem exercer esse papel importante de fazer a revolução cultural para que as próximas gerações tenham ferramentas para ensinar aos filhos".

Apreender essa visão de longo prazo traz mais equilíbrio para lidar com o dinheiro de forma inteligente, pois a renda pode até ser alta, e ainda assim a pessoa viver em constante estado de dívida. "Saber investir é tão importante quanto saber ganhar", pontua Wellington.

Pesquisa
A pesquisa se baseou na análise dos extratos de conta-corrente de 178.860 usuários do GuiaBolso no Brasil e 3.245 no Ceará, no período de 1º a 30 de junho de 2018. Fonte: O Povo

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