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sábado, 8 de julho de 2017

Maia jura lealdade, mas fica mais perto do Poder

Em caso de afastamento do peemedebista, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiria a interinidade da Presidência da República por até 180 dias e, em caso de condenação, teria até 30 dias para convocar eleição indireta, na qual surge como favorito ( Foto: ABR )
00:00 · 08.07.2017
Brasília. O presidente Michel Temer (PMDB-SP) ainda tenta traçar estratégias para barrar a denúncia contra ele na Câmara, mas a semana terminou com o mundo político nacional já considerando a sua sucessão. A bola da vez é justamente o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que recebeu aceno do PSDB, por meio do senador Tasso Jereissati, presidente interino da sigla, e também de outros tucanos.
Temer e Maia falaram em lealdade mútua, mesmo estando distantes um do outro: o presidente na Alemanha e o deputado na Argentina. Mas um fato pesou contra as declarações: a aparente dificuldade em arregimentar aliados para barrar a denúncia na CCJ e no Plenário. Sem isso, o presidente seria afastado e Maia assumiria interinamente. Coincidência ou não, o mandatário da Câmara já anda postando nas redes sociais compromissos com o Brasil, sobretudo, com as reformas em andamento.
A sinalização dessa tendência de afastamento de Temer e Maia começou na quinta-feira (6), com as declarações do cearense Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB (um dos principais partidos de sustentação do governo Temer), de que Maia poderia conduzir bem o Brasil até 2018, no caso da denúncia contra o peemedebista ser aceita na Câmara e o presidente da República ser afastado. Nessa hipótese, Maia permanecerá como interino na presidência da República por até 180 dias, período que o Supremo Tribunal Federal (STF) terá para julgar o presidente. Absolvido, Temer voltaria.
Caso Temer seja condenado, Maia teria até 30 dias para, como presidente da Câmara, realizar eleição indireta para a escolha do presidente da República e vice, que ficaria no poder até 31 de dezembro de 2018.
Maia já tem em mãos um parecer jurídico que garante a ele o direito de se candidatar na eleição indireta. O democrata aparece hoje como o principal nome para vencer tal pleito hipotético.
Transição
Tasso também disse que a crise está levando o Brasil à ingovernabilidade. Em sentido contrário, na sexta-feira (7), o também tucano Aloysio Nunes, ministro das Relações Exteriores, saiu novamente em defesa de Temer.
Com a possibilidade de Temer não reunir apoio suficiente para se manter no cargo, os partidos da sua base começaram a discutir a configuração de um governo de transição de Maia.
O consenso é o de que a nova gestão teria que manter os ministros da equipe econômica, Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento).
Maia tem simpatia por Meirelles e Dyogo, que defendem as mesmas bandeiras que ele.
Interlocutores de Temer telefonaram para Maia na sexta. Eles disseram ao presidente da Câmara que reconhecem que ele tem sido leal, mas deveria orientar seus aliados para não ficar marcado como traidor.
Segundo aliados do parlamentar, para garantir uma administração com apoio no Poder Legislativo, Maia teria de abrir espaço para partidos de esquerda como PT, PC do B e PDT.
Preocupado com a denúncia na Câmara, Temer pediu aos ministros que são deputados federais licenciados que retomem seus mandatos para votar com o governo no plenário da Casa.
Desânimo
O governo também tenta conter a perda de apoio trocando deputados na CCJ. Já são cinco substituições de deputados aliados do governo em dez dias. A oposição critica a estratégia. "Trocar a condição de suplente por condição de titular na CCJ é expressão de desespero", diz a deputada Érika Kokay (PT-DF).
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, têm feito apelos aos governadores em busca de apoio a Temer, mas eles não conseguiram o resultado esperado.
O clima no governo é de desânimo. E, no Palácio do Planalto, aumenta a sensação de que Maia está trabalhando nos bastidores para ficar no lugar de Temer.
Rodrigo Maia nega. Em viagem à Argentina, disse que seu papel é manter posição de neutralidade no processo.
"Aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre", disse o presidente da Câmara.
O relator da denúncia na CCJ, Sergio Zveiter (PMDB-RJ) disse que já escreveu o parecer e entregará na segunda (10). Ele afirmou ser um trabalho jurídico, sem concessões políticas.
Maia pode enfrentar, no entanto, um obstáculo. O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) deve citá-lo na delação premiada que tenta fechar com o Ministério Público Federal, o que pode complicar uma eventual eleição indireta de Maia ou prejudicar uma hipotética gestão do democrata. Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, Cunha poderá falar da atuação parlamentar de Maia em benefício de setores empresariais e de recursos não contabilizados que ele teria recebido para campanhas.
Oposição
O deputado federal José Guimarães (PT-CE) condenou as articulações para manter Maia como sucessor de Temer e defendeu a realização de eleições diretas.
"Eleição indireta não unifica, independente de nome".
Para o deputado federal, André Figueiredo (PDT-CE), o caso não se trata de articulação, mas do que está previsto na Constituição. "Infelizmente, tem que ser Rodrigo Maia, conforme a Constituição determina. Numa possível saída do presidente da República, quem assume por seis meses é o presidente da Câmara, mas o PDT não votaria nele em uma eleição indireta", disse

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