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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Escola de samba rural se prepara para o Carnaval 2017

Os antigos integrantes esperam que os mais novos abracem a tradição ( Foto: André Costa )
00:00 · 18.02.2017 por André Costa - Colaborador
Nas últimas três semanas, os integrantes, que sairão do Sítio até a Marquês de Papai Raimundo, no Centro, num percurso de 3 quilômetros, começaram os ensaios
Várzea Alegre. Faltando menos de duas semanas para a maior festa popular do Brasil, os blocos carnavalescos e escolas de samba já intensificam os preparativos para o Carnaval. Neste Município, na região Centro-Sul do Estado, o som do repicar dos tambores aumenta o tom e se mistura com os sons da natureza no Sítio Roçado de Dentro, localidade onde há 54 anos "surgiu a primeira escola de samba do Brasil criada por agricultores", conforme destaca um dos fundadores, Francisco das Chagas de Sousa, 69, conhecido como Chico Progresso.
A Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro (Esurd), a mais tradicional do interior cearense, começou os preparativos para o Carnaval deste ano há dois meses, com montagem de carros alegóricos e confecção de roupas.
Nas últimas três semanas, os cerca de 200 integrantes, que desfilarão saindo do Sítio até a Marquês de Papai Raimundo, no Centro da Cidade, num percurso de 3 quilômetros, começaram os ensaios. Neste ano, a Esurd traz o tema "Façam suas apostas. A sorte foi lançada".
"Todos os anos nós, da organização da Escola, nos reunirmos para pensar temas que estejam em consonância com a atualidade. Não é porque somos uma Escola com berço na roça que não podemos estar atentos ao que acontece no mundo. Ano passado, falamos sobre a importância da água e os cuidados que devemos ter para evitar a proliferação de mosquitos. Neste ano, vamos falar de sorte, que vai desde a crise financeira à ameaça de mais um ano de seca", explica Chico Progresso.
Crise
A escola que, nos tempos áureos, já chegou a desfilar com 15 alas e mais de 600 integrantes, neste ano contará com bateria, baianas, comissão, mestre-sala e porta-bandeira, ala das crianças, carro abre-alas e destaques, num total de cerca de 200 integrantes. "Há dois anos que a crise tem afetado diretamente a organização da Escola. No ano passado, saímos em número reduzido e neste ano, novamente. Apesar de toda dificuldade, a Esurd se mantém firme há mais de cinco décadas", destaca Chico.
Para o carnavalesco Antônio Leonardo de Souza, o Léo, a redução no número de integrantes que desfilarão neste ano "influencia diretamente no espetáculo apresentado na avenida". Segundo explica, apesar de ser mais fácil repassar a coreografia para menos integrantes, a "estética fica prejudicada". "A beleza da nossa escola está nas cores, no tema sempre bem pensado, na coreografia bem ensaiada e na quantidade de pessoas. Tudo isso junto faz um efeito muito lindo".
Envolvimento
Léo conta que, nos meses que antecedem o período carnavalesco, há um envolvimento "geral de toda comunidade". Segundo conta, muitas pessoas se mobilizam para realização do desfile, que atrai milhares de pessoas no domingo de Carnaval.
"Já virou uma marca registrada de toda região. Os moradores e turistas esperam o domingo de Carnaval para prestigiarem e vibrarem junto com a Escola", disse. No entanto, para que tudo saía "perfeito", é necessário muito ensaio.
"É um trabalho minucioso. Primeiro, criamos o tema e o samba, depois montamos a coreografia. O próximo passo é passar tudo aos integrantes da Escola. Para isso, ensaiamos bastantes. Todos os domingos são horas de ensaio e, na semana anterior ao desfile, os ensaios são diários", acrescenta Léo.
Há uma semana, no dia 11, a escola deu o primeiro grito carnavalesco oficial de 2017, durante festa de lançamento do samba-enredo. "Esse é o nosso pontapé inicial. Estamos apresentando o samba que levaremos para o desfile", pontuou Chico.
Ele conta que, para manter a escola, ao longo de todo o ano, organiza eventos e festas cuja arrecadação é destinada para a Esurd. "Manter uma escola de samba por mais de 50 anos requer custos. Então, além de tentarmos patrocínio, fazemos eventos como o de hoje para envolver a população, fomentar nossa escola e arrecadar dinheiro", explicou.
História
Em 1963, por brincadeira, um grupo composto por 20 agricultores, todos com raízes musicais, resolveu desfilar pelo sítio no domingo de Carnaval, com sanfona, zabumba, triângulo, cavaco e pandeiro.
O que era para ser apenas um "momento de descontração" ganhou forma e amplitude. "A cada ano, os próprios moradores passaram a se interessar e começaram a brincar junto com aquele bloco criado por meu avô, Antônio de Sousa, que foi o grande precursor. 17 anos mais tarde, já com várias pessoas exclusivamente do Sítio Roçado de Dentro, foi fundada a Esurd", relembra Chico Progresso.
Atualmente, a escola conta com membros que desfilam há mais de cinco anos e outros que começam a dar os primeiros passos no meio carnavalesco, como é o caso do pequeno Francisco Wagner de Sousa Menezes, de apenas 12 anos e que há cinco toca na bateria da Esurd.
"É um momento de muita alegria. Passamos o ano todo esperando chegar a época do Carnaval para desfilar", pontua o jovem, que confidencia querer trilhar os caminhos do pai e do avô. "Quando crescer, quero ser um dos mestres de bateria", conclui.
Chico se emociona ao relembrar a história da Escola criada por seu avô e pondera a importância do surgimento de novos adeptos para "perpetuar a tradição da Escola".
"Todo ano eu me emociono muito durante o desfile. É uma felicidade sem igual. E, ainda mais importante, é ver essa garotada abraçando a Escola, com afinco de levá-la adiante. Não se trata apenas da Esurd, e sim de perpetuar a tradição, a cultura de um Sítio que ainda tem reisado, maneiro pau e tantos outros manifestos culturais", finaliza.
Redução
600
integrantes a Escola de Samba Unidos do Roçado de Dentro chegou a ter, nos tempos áureos, com 15 alas. Neste ano contará com aproximadamente 200.

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