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domingo, 25 de junho de 2017

A dura rotina de julgamentos e opiniões alheias



Clara relata lidar com comentários desde que Ava, 3, ainda estava na barriga MARIANA PARENTE/ ESPECIAL PARA O POVO-Dar os primeiros passos na jornada da maternidade, conhecer o filho e reconhecer-se como mãe, adentrar em um universo novo de escolhas, anseios e dúvidas; e ainda se deparar e ter de lidar com opiniões alheias.
Essa é a realidade para muitas mulheres durante a gravidez e, principalmente, nos primeiros anos de vida dos filhos. Os pitacos vêm de fora — amigos ou mesmo desconhecidos — e de dentro de casa. E, se não solicitados ou se trazem carga de julgamento, podem ser percebidos pela mãe como uma crítica à função que ela está ainda se acostumando a desempenhar. Quem, com a opinião, pretende ajudar termina por machucar e imprimir insegurança no caminhar da mãe que nasce.

Ponto de vista. Deixem as mães viverem, aprenderem, errarem!
Pesquisa norte-americana recentemente divulgada aponta que críticas e julgamentos são sentidos por 61% da mães de crianças de até 5 anos de idade. A disciplina e alimentação dos filhos são os temas que permeiam a maioria dos pitacos. Mãe de Ava, de 3 anos, a fotógrafa e estudante de Cinema Clara Capelo, 30, confirma isso. Ava não come carne por decisão da própria criança e Clara relata ouvir sempre, das mais diversas fontes, comentários constantes sobre a questão. As roupas da menina, que são, primordialmente, confortáveis e não trazem carga de gênero também são alvo de opiniões.


“Na gravidez, quando ainda é um corpo só, o julgamento é imposto como um cuidado. Mas quando a criança nasce, se direciona o olhar de carinho pra criança e resta à mãe a culpa. As pessoas têm um ideal de como deve ser cada passo da criança, e quando se fala desse ideal é sempre no lugar de culpabilização da mãe”, acredita Clara.
No hall dessas culpas, Clara relata ouvir também como as pessoas impõem pesos diferentes às responsabilidades dadas ao pai e à mãe.
Separada do pai da menina, Clara divide igualitariamente com o ex-companheiro o tempo e as decisões relacionadas à menina. “Mais de uma vez me perguntaram porque eu deixava a Ava com o pai já que nessa idade ela não precisava dele, só de mim”, relembra.
Por vezes, a recriminação vem de outras mães, numa atitude que tem sido chamada de mother shaming. Mãe da pequena Serena, de três meses, a universitária Gabriela Rocha, 23, já recebe as sugestões, muitas vezes nada bem-vindas, sobre a criação da menina. “Entendo que, em alguns casos, pode ser uma forma de cuidado. Mas me incomoda bastante pessoas que nunca vi na vida me abordarem na rua para dizer alguma coisa. Elas sempre têm um ar de julgamento. E, por eu aparentar ser mais nova do que realmente sou, as pessoas presumem que não sei o que devo fazer com minha filha, que não estou fazendo certo, pela falta de experiência”, conta. 

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